Acidente Vascular Cerebral (AVC)

É caracterizado pela perda rápida de função neurológica, decorrente do entupimento (isquemia) ou rompimento (hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais. É uma doença de início súbito na qual o paciente pode apresentar paralisação ou dificuldade de movimentação dos membros de um mesmo lado do corpo, dificuldade na fala ou articulação das palavras e déficit visual súbito de uma parte do campo visual. Pode ainda evoluir com coma e outros sinais. Trata-se de uma emergência médica que pode evoluir com sequelas ou morte, sendo a rápida chegada no hospital importante para a decisão terapêutica. É o problema neurológico mais comum em algumas partes do mundo gerando um dos mais elevados custos para as previdências sociais dos países.

 

Cefaléias e Enxaquecas

A dor de cabeça é um sintoma comum em adultos e crianças, sendo responsável por elevado número de consultas médicas, principalmente neurológicas. Os pacientes frequentemente associam sua dor à possibilidade da existência de uma patologia potencialmente grave, como tumor ou aneurisma intracraniano. O profissional de saúde treinado poderá oferecer tratamento adequado para sua dor de cabeça, e algumas orientações podem ser úteis.

As cefaléias são divididas em dois grandes grupos. As cefaléias primárias, que constituem em si mesmas a doença. O exemplo clássico é a migrânea sem aura, anteriormente denominada enxaqueca comum, e que atinge aproximadamente 16% das mulheres. As Cefaléias secundárias, que fazem parte do cortejo sintomatológico de uma doença qualquer, seja esta primária do sistema nervoso central ou sistêmica. Embora as dores de cabeça na sua grande maioria sejam primárias, o risco representado por algumas cefaléias secundárias justifica a preocupação de pacientes. A Cefaléia Crônica Diária está relacionada ao abuso de analgésicos, mesmo naqueles pacientes sabidamente portadores de cefaléia primária (uso de mais de 15 comprimidos de analgésicos por mês, nos últimos seis meses). O uso abusivo de analgésicos é a causa mais comum da transformação de dores esporádicas (tipo migrânea) em cefaléia crônica diária. Esta é uma cefaléia secundária de tratamento extremamente difícil, que requer a suspensão de todo e qualquer medicamento sintomático (analgésico, antiinflamatório) além de orientação por profissional com experiência em cefaléia.

 

Demência

Em medicina a palavra é empregada para definir quadros que se caracterizam por deficiência cognitiva persistente e progressiva que interfere nas atividades rotineiras do indivíduo, embora ele custe a perder a consciência do mundo que o cerca.

 

Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma doença neurológica degenerativa e progressiva que se manifesta por deterioração da cognição e memória mais especificamente, alteração progressiva das atividades de vida diárias, variedade de sintomas neuro-psiquiátricos e distúrbios comportamentais.

A evolução dos sintomas da Doença de Alzheimer pode ser dividida em três fases: leve, moderada e grave.

Na fase leve, podem ocorrer alterações como perda de memória recente, dificuldade para encontrar palavras, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade para tomar decisões, perda de iniciativa e de motivação, sinais de depressão, agressividade, diminuição do interesse por atividades e passatempos.

Na fase moderada, são comuns dificuldades mais evidentes com atividades do dia a dia, com prejuízo de memória, com esquecimento de fatos mais importantes, nomes de pessoas próximas, incapacidade de viver sozinho, incapacidade de cozinhar e de cuidar da casa, de fazer compras, dependência importante de outras pessoas, necessidade de ajuda com a higiene pessoal e autocuidados, maior dificuldade para falar e se expressar com clareza, alterações de comportamento (agressividade, irritabilidade, inquietação), ideias sem sentido (desconfiança, ciúmes) e alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes).

Na fase grave, observa-se prejuízo gravíssimo da memória, com incapacidade de registro de dados e muita dificuldade na recuperação de informações antigas como reconhecimento de parentes, amigos, locais conhecidos, dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição, dificuldade de entender o que se passa a sua volta, dificuldade de orientar-se dentro de casa. Pode haver incontinência urinária e fecal e intensificação de comportamento inadequado. Há tendência de prejuízo motor, que interfere na capacidade de locomoção, sendo necessário auxílio para caminhar. Posteriormente, o paciente pode necessitar de cadeira de rodas ou ficar acamado.

 

Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma desordem degenerativa progressivamente incapacitante, clinicamente caracterizada por bradicinesia, tremores, rigidez e instabilidade postural.


 

Esclerose Múltipla

A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória, que afeta a capa de mielina responsável pela condução nervosa, reconhecida como a substância branca do sistema nervoso. A doença se caracteriza por um acometimento em diferentes partes do cérebro de da medula espinal e também em diferentes momentos, e assim é denominada de disseminação no tempo e no espaço, condição pela qual se estabelece o diagnóstico definitivo. Os sinais e sintomas não podem ser explicados por uma única lesão e o seu curso clínico é caracterizado mais frequentemente por surtos, seguidos de períodos de remissões.

 

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Trata-se de uma doença que acomete o sistema nervoso, até o momento irreversível, que incapacita o portador à medida que avança. A pessoa sente dificuldades de se locomover, comer, falar; perde habilidade dos movimentos, inclusive das próprias mãos, não consegue ficar de pé por muito tempo pois a doença acaba por afetar toda a musculatura. À medida que a doença progride, geralmente depois da perda das habilidades de locomoção, fala e deglutição, o doente acaba por falecer, se não for submetido a tratamento de incapacidade respiratória quando os músculos associados à respiração são afetados

 

Epilepsia

A epilepsia é um distúrbio do cérebro que se expressa por crises epilépticas repetidas de início brusco e inesperado. Uma crise isolada surgida durante um processo agudo (febre, infecção, etc.) não constituem uma epilepsia.

As crises podem ser classificadas como focais ou parciais, quando se originam em uma área específica do cérebro, ou generalizadas, quando as crises se originam a partir dos dois lados do cérebro, em geral de forma sincronizada e simétrica.

O que fazer ao presenciar uma crise convulsiva

  • Manter a calma;
  • Colocar o indivíduo em posição confortável;
  • Vire suavemente a cabeça para o lado, de maneira que a saliva escorra e não impeça a respiração;
  • Proteja a cabeça com algo suave sob a mesma;
  • Não tente introduzir nenhum objeto na boca;
  • Não lhe dê nada para beber;
  • Não tente despertá-lo;
  • Permaneça ao lado do indivíduo até terminar a crise.

 

Doenças do Sono

Os distúrbios de sono mais comuns são a Insônia, a Apneia Obstrutiva do Sono e a Síndrome das Pernas Inquietas.

A insônia é simplesmente a dificuldade de iniciar o sono, mantê-lo continuamente durante a noite ou o despertar antes do horário desejado. Estes episódios de insônia podem estar relacionados a vários fatores, e são bastante individuais: expectativas (viagem, compromissos, reuniões, prova, etc.), problemas clínicos, problemas emocionais passageiros, excitação associada a determinados eventos. Mas pode tornar-se crônica e provocar muito sofrimento ao longo dos anos.

A apneia obstrutiva do sono caracteriza-se pela obstrução da via aérea ao nível da garganta durante o sono, levando a uma parada da respiração, que dura em média 20 segundos. Após esta parada no fluxo de ar para os pulmões, o paciente acorda, emitindo um ronco muito ruidoso. A apneia obstrutiva do sono pode ocorrer várias vezes durante a noite, havendo pacientes que apresentam uma a cada um ou dois minutos. Durante a apneia, a oxigenação sanguínea pode cair a valores críticos, expondo o paciente a problemas cardíacos. A apneia obstrutiva do sono ocorre em cerca de 5% da população geral e em 30% dos indivíduos acima dos 50 anos de idade, sendo também mais comum em homens.

A Síndrome das Pernas Inquietas é a mais comum das doenças do sono, da qual poucos ouviram falar. Afeta cerca de 7% da população e se caracteriza principalmente por uma sensação desagradável nas pernas, profunda, nos ossos às vezes, como se fosse uma coceira ou friagem, choque, formigamento, e eventualmente dor. Estes sintomas são acompanhados de uma sensação de angústia e imensa necessidade de mover as pernas, ou ainda massageá-las, alongá-las ou mesmo espancá-las em algumas situações. Os sintomas ocorrem principalmente na hora de se deitar, mas podem ocorrer em qualquer momento em que o indivíduo fica parado (sentado ou deitado), seja para descansar ou qualquer outra atividade que não exija movimentos. Os sintomas da síndrome das pernas inquietas podem ser tão intensos que o paciente não consegue iniciar o sono.

 

TDAH

O Trasntorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade causando prejuízos a si mesmo e aos outros em pelo menos dois contextos diferentes (geralmente em casa e na escola/trabalho). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Associação Psiquiátrica Americana, o TDAH é um transtorno psiquiátrico que tem como características básicas a desatenção, a agitação (hiperatividade) e a impulsividade, podendo levar a dificuldades emocionais, de relacionamento, bem como o baixo desempenho escolar e outros problemas de saúde mental. Embora a criança hiperativa tenha muitas vezes uma inteligência normal ou acima da média, o estado é caracterizado por problemas de aprendizado e comportamento. Os professores e pais da criança hiperativa muitas vezes têm dificuldades para lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional e hiperativa incontrolável da criança. Há especialistas que defendem o uso de medicamentos; outros acreditam que o indivíduo, sua família e seus professores devem aprender a lidar com o problema sem a utilização de medicamentos – através de psicoterapia e aconselhamento familiar, por exemplo. Há, portanto, muita controvérsia sobre o assunto.

A criança com déficit de atenção muitas vezes se sente isolada e segregada dos colegas, mas não entende por que é tão diferente. Fica perturbada com suas próprias incapacidades. Sem conseguir concluir as tarefas normais de uma criança na escola, no playground ou em casa, a criança hiperativa pode sofrer de estresse, tristeza e baixa auto-estima.

 

Depressão

O transtorno depressivo maior é um transtorno psiquiátrico que afeta pessoas de todas as idades. Caracteriza-se pela perda de prazer nas atividades diárias, apatia, alterações cognitivas como diminuição da capacidade de raciocinar adequadamente, de se concentrar ou/e de tomar decisões, psicomotoras como lentidão, fadiga e sensação de fraqueza, alterações do sono como insônia e hipersonolência, alterações do apetite, redução do interesse sexual, retraimento social, ideação suicida e prejuízo funcional significativo como faltar muito ao trabalho ou piorar o desempenho escolar.

 

Transtorno Bipolar

É característica do transtorno bipolar a ocorrência de episódios de manias como exaltação do humor, euforia, hiperatividade, loquacidade exagerada, diminuição da necessidade de sono, exacerbação da sexualidade e comprometimento da crítica e frequentemente alternados com períodos de depressão e de normalidade. Nesses episódios maníacos incluem também irritabilidade, agressividade e incapacidade de controlar adequadamente os impulsos.

 

Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos para a sociedade ou para a própria pessoa. Normalmente trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúde, higiene, organização, simetria, perfeição ou manias e “rituais” que são incontroláveis ou dificilmente controláveis.

 

Ansiedade

Ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração, e outras alterações associadas à disfunção do sistema nervoso autônomo.

Tanto a ansiedade quanto o medo, não surgem na vida da pessoa por uma escolha. Acredita-se que vivências interpessoais e problemas na primeira infância possam ser importantes causas desses sintomas. Além disso, existem causas biológicas como anormalidades químicas no cérebro ou distúrbios hormonais. Ansiedade é um estado emocional que se adquire como consequência de algum ato. Todos nós temos uma consciência que nos permite distinguir o certo do errado quando realizamos algo que a nossa consciência diz ser errado, como adultério, assassinato, ou desacatar alguém que sempre nos fez o bem, sem um motivo real aparente, isso nos leva a uma consciência pesada, é como se a cabeça ficasse literalmente com um peso extra ou sentimento de culpa que impede o nosso equilíbrio

 

 

Pânico ou infarto do coração?

Por Nahara Leite Ribeiro

CRP: 06/59505

 

“Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estomago e os intestinos” Clarisse Lispector.

 

A característica principal do Transtorno de Pânico é a presença de Ataques de Pânico repetidos, inesperados e espontâneos que lembram muito um infarto do coração. Para ser considerado Transtorno de Pânico é necessário que pelo menos um ataque seja seguido por um mês de preocupações persistentes em ter novos ataques, e uma preocupação excessiva que persista por pelo menos seis meses. Estas preocupações ocorrem entre as diversas atividades do dia a dia.

O ataque de pânico pode ocorrer em situações de medo intenso e perda do controle da ansiedade. Em alguns casos o ataque de pânico ocorre com o uso de alguma droga psicoativa. Muitas vezes a lembrança do ataque gera novos ataques e perda de controle sobre seu próprio corpo. Desta forma a orientação adequada é imprescindível.

Os principais fatores para ter por um transtorno de pânico são um histórico de vida de ansiedade intensa, fatores de perdas relevantes, fatores culturais, e fatores genéticos. É caracterizado por uma crise de ansiedade aguda e dado por pelo menos quatro desses sintomas ao mesmo tempo por pelo menos vinte minutos:

  • Sudorese, falta de ar, batimento cardíaco acelerado, formigamento.
  • Desconforto no peito, palpitações, tremor, e vertigem.
  • Desrealização (coisas fora do lugar).
  • Despersonalização (fora do corpo).
  • Sensação de morte eminente.

 

Uma crise de pânico lembra um infarto do coração e o que o paciente mais quer é ser socorrido imediatamente. O que ocorre no organismo é uma forte ansiedade ligada a uma descarga repentina de noradrenalina.

Como forma de tratamento em primeiro lugar deve-se procurar o apoio de um médico especialista para tirar todas as dúvidas relacionadas à questão orgânica e ser medicado quando necessário. Na maioria dos casos os pacientes já passaram por emergências médicas e já foram orientados sobre o real diagnostico e não problema do coração.

A primeira postura a ser tomada é o autocontrole da situação obedecendo aos seguintes passos:

  • Respiração: puxe o ar pelo nariz e solte lentamente pela boca.
  • A crise não passa de 20 minutos.
  • Controle de pensamento: “Eu não morro disso e eu vou superar isso”
  • Manter a calma e evitar tumulto de pessoas bem intencionadas, mas que no momento causam ansiedade.

Na psicoterapia é importante a confiança na equipe de apoio para que o paciente saiba diferenciar uma real crise de pânico e aprender a controlar até cessar as crises. Após a fase de “pronto socorro” buscamos as contingências aversivas e os fatores que geraram ansiedades para que então o paciente possa modificar sua forma de lidar com as novas situações se tornando sujeito de sua história, isto é, mais autoconfiante e menos refém de suas ansiedades.