Cuidadores de Idosos

Cuidadores de Idosos

Quando um bebê nasce, crescem as expectativas de todos os familiares, voltadas para o desenvolvimento sadio dessa criança, bem como para as alegrias que ela poderá proporcionar àquele lar. Já na adolescência, a atenção concentra-se nos “medos”, em razão das inúmeras armadilhas que a vida poderá oferecer ao jovem menino (a). Passada essa época de intensa preocupação com a entrada na fase juvenil, a família tem a oportunidade de vibrar com as novas conquistas.

Existe assim um envolvimento e compreensão da família para a superação da dificuldade do jovem, essenciais para o desenvolvimento social e profissional. Dessa forma, na fase adulta, ele está preparado para constituir família e acolher novas crianças. E então, aquele bebê completa o ciclo vital, na chamada fase do idoso, enriquecida, ao longo da vida, de boas experiências, além de algumas decepções e sofrimentos que garantem um amadurecimento e uma fonte de conhecimentos da existência humana. Apesar disso, em muitas famílias, parece que o declínio da energia física afasta o idoso dos familiares que um dia ele acolheu.

De fato, no Brasil, ainda não temos a cultura de valorizar os idosos como eles merecem, principalmente quando voltam a ser bebê do ponto de vista físico e/ou cognitivo. Necessitam, dessa forma, de todos os cuidados, mas com uma diferença: agora se aproximam do fim de seu ciclo vital. Não existe mais desenvolvimento e, sim, recolhimento para poderem vivenciar com dignidade esse novo estágio.

A família geralmente não está preparada para conviver com o idoso, por isso passa por grandes tristezas e estresse de adaptação. É o momento de os familiares se prepararem para esse processo, de se unirem e dividirem tarefas. É o precioso tempo de reverem e humanizarem muitos de seus próprios conceitos diante da vida e da família. Esse é um lindo ato de resiliência.

Uma estratégia muito válida para atuar com o idoso é a busca de auxílio com um cuidador de idosos para ajudar nesse novo processo de adaptação, o qual deverá ser treinado para assumir as tarefas cotidianas que sobrecarregam a família.

O cuidador deve ter habilidades especiais e imprescindíveis ao trabalho, caso contrário torna-se um fardo maior na casa.  Assim, é necessário apresentar, por exemplo, formação profissional que inclua cuidados básicos de enfermagem, técnicas simples relacionadas à terapia ocupacional, à fonoaudiologia, à nutrição. É fundamental, ainda, que administre a medicação de forma correta e que saiba perceber mudanças no idoso e relatá-las, de forma clara e objetiva, para a família e para a equipe técnica que o acompanham. Vale ressaltar a importância do cuidador como profissional afetivo, comprometido com o paciente e com a família, respeitando-os e observando os limites da sua atuação.